segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Hora de Mudar

Este é o primeiro artigo que estou escrevendo em meu apartamento novo. Mudei há uma semana. Fazendo as contas, já mudei de casa mais de 30 vezes. Morei em quatro cidades brasileiras e em três países.Mudei de profissão quatro vezes, de estado civil três vezes. Já tive dezenas de projetos de vida, mudei centenas de vezes de opinião e milhares de vezes de idéia. De mudança eu entendo. Ou acho que entendo...

Descobri, por exemplo, que as pessoas mudam por necessidade ou por desejo. Sentimos necessidade de mudar algo em nossa vida quando as coisas não estão dando certo. Já o desejo está ligado a querer resultados ainda melhores, independentemente de quão bons já sejam os que estamos obtendo. Mudar, portanto, é próprio do ser humano, pois ele sempre tem necessidades e desejos. Será? Vamos analisar algumas contradições que pertencem a esse assunto.

Uma das principais características da nossa sociedade, atualmente, é a crescente velocidade das mudanças. Há tantas, em todas as áreas, que os historiadores estão dizendo que não estamos em um tempo de mudanças, e sim em uma mudança de tempo, como ocorreu na Renascença e na Revolução Industrial. As tecnologias, como o celular e a internet, compõem o principal motor desse fenômeno, mas há outras coisas, como o excesso de informação e a multiplicidade de opções.

Ao contrário do que já foi, hoje são valorizadas as pessoas que mudam. Raul Seixas foi profético quando disse que preferia ser "uma metamorfose ambulante" a "ter aquela velha opinião formada sobre tudo". É claro que não se cobra de ninguém que seja tão maluco-beleza, mas a estagnação paga pedágio dobrado. Somos estimulados, sim, a ser metamorfoses ambulantes, se não por outro motivo, pelo menos para acompanhar as mudanças do mundo, e estas são cada vez maiores e em velocidade crescente.

Mas há pelo menos duas contradições importantes quando o tema é a mudança. O motivo principal que nos obriga a mudar é a manutenção do status. Eu preciso mudar para continuar sendo competitivo, para manter minha cultura em dia, para ser bem informado como sempre fui, para atender às expectativas das pessoas com quem convivo, para não ser considerado antiquado... Ou seja, preciso mudar para continuar sendo o mesmo. Esse é o primeiro paradoxo.

O segundo, é mais agudo: eu sei que preciso mudar,mas bem que preferia deixar como está. Seria tão bom se tudo ficasse quieto, confortável e seguro... Esse sentimento existe porque qualquer mudança pressupõe movimento, gasto de energia, perigo - e são justamente essas as características que a parte mais primitiva de nosso cérebro está programada para evitar. O racional entende que a mudança precisa acontecer, o emocional precisa ser convencido e, mesmo assim, reluta. É duro sair de uma zona de conforto, que é confortável principalmente porque é conhecida...

Mas não temos alternativa. Devemos conviver com nossos dois eus interiores - o que quer mudar e o que quer permanecer.

Apesar de o assunto ser moderno, ele não é novo. Há mais de 25 séculos viveu, na costa da Grécia, um filósofo chamado Heráclito, que, dizem, vivia angustiado com a velocidade das mudanças. Imagine se ele vivesse hoje!
Heráclito teve duas percepções importantes a respeito do tema.A primeira diz respeito ao que ele chamou de "unidade dos opostos". Segundo o filósofo, absolutamente tudo na vida é composto por fenômenos, valores ou tendências totalmente opostas, mas que se complementam.

Um exemplo: se alguém diz que um copo de água está meio vazio, enquanto outro afirma que está meio cheio, ambos estão falando sobre o mesmo copo, e não sobre dois. É o mesmo, mas há opiniões opostas a seu respeito. E essas opiniões não são contraditórias, mas complementares, pois o copo está, de fato, meio cheio e meio vazio. A diferença está apenas no ponto de vista.

O que o sábio Heráclito quis dizer com isso é que as oposições são naturais e nem sequer devemos lutar contra elas, pois estaríamos correndo o risco de negar a própria realidade. A lição que tiramos dessa história é que a realidade é instável por conter os opostos, que, por outro lado, são necessários para a construção do todo.

Os opostos geram a instabilidade que provoca o movimento que determina as mudanças. Daí nasce a segunda observação de Heráclito: "Tudo flui, você não pode banhar-se duas vezes no mesmo rio", pois, na segunda vez, o rio não será o mesmo, uma vez que aquela água já se foi e esta é outra. Ponto para Heráclito. Temos que estar preparados para conviver com os opostos e para nos adaptarmos às novas realidades que surgem o tempo todo.

Mas observe como algumas pessoas têm uma incrível dificuldade para lidar com essas duas situações. E acabam pagando um preço alto por não conseguirem entender a instabilidade dos fenômenos e a oposição dos componentes da realidade. Cuidado! Adaptação não é o mesmo que acomodação.O acomodado não muda, o adaptado muda o tempo todo.

Não precisamos ser metamorfoses ambulantes, mas não podemos ter a velha opinião formada, imutável, irremovível, pétrea. Há uma diferença entre "dualidade" e "impasse". Os opostos de Heráclito compõem dualidade: dia e noite,vida e morte, homem e mulher, inverno e verão. A dualidade pressupõe o uso de "e". O impasse vale-se do "ou". Viveremos tão melhor quanto mais aceitarmos o uso do "e", que pressupõe soma, não divisão.

Mudanças são boas quando trazem acréscimos para nossa vida. O duro é perceber que ir para outro emprego, acabar com um casamento falido, promover alterações no visual e criar novos hábitos de vida, entre outras, são mudanças que acrescentam. Não significam perdas, e sim ganhos... .
As mudanças podem ser traumáticas ou amigáveis, isso vai depender da relação que construímos com elas. E, é claro, vai depender também da expectativa que temos do seu resultado.

Ninguém gosta de mudar para pior. Ou mudamos por conta própria, e sempre para melhor, ou as mudanças acontecerão à nossa revelia - e, nesse caso, não temos garantia de que será para melhor.



(Eugenio Mussak - revista Vida Simples - Novembro de 2006)

amigas adoro seus recadinhos
ando muito deprimida pois tenho varios problemas de saude um deles e cancer de mama e minha diabetes nao baixa com nada estou fazendo reabilitaçao cardiologica para ver se melhora
descupa desabafos tenha um lindo dia bjo

7 comentários:

Mari Souza disse...

ZOLEIDE, QUERIDA É TEM HORAS QUE BATE UMA DEPRE MESMO ... EU SEMPRE FUI UMA PESSOA SAUDAVEL ,MAS NOS ULTIMOS DOIS MESES TENHO FRENQUENTADO EMERGÊNCIAS,CONSULTÓRIOS MÉDICOS MAIS QUE EM TODA A MINHA VIDA... PROCURE NÃO SE ABATER ,TUDO VAI DAR CERTO NO FINAL ...QUE DEUS TE ABENÇOE TE DÊ MUITA LUZ ,VOU ORAR POR VOCÊ.BJS

Cris e Nai disse...

Querida Zoleide, não te deixes levar pelo pessimismo, entregue teus medos e angustias a Deus que ele com certeza te ampara nos momentos mais difíceis. Um bom ânimo vai te ajudar mais que o desânimo, mas se precisar chorar, desabafar faça isso que estamos aqui também nos momentos mais delicados,todos somos humanos e passamos por altos e baixos. Fica com Deus e que ele te de força e coragem que tudo isso vai passar. Um forte abraço! Cris!

Cheiro de Vanilla disse...

Parabens pela mudanca, que tudo se arrange rapidamente.
Deus te abencoe no tratamento do cancer e da diabete, que tudo de certo o mais rapido possivel.
Bjs....

lenalima disse...

Oi linda!
Zoleide a vida é bem complicada, temos nossas bagagens e missão a cumprir, temos que seguir em frente né amiga....
força!
tudo dará certo , que Deus a abençõe sempre.
abraços!!!

Pri Araujo disse...

Parabéns pelo seu novo apartamento!!! bjocasss

Aninha disse...

passei por aqui só para saber como vc está?

um abraço carinhoso.

bjs

Artes da Vovó Mada disse...

Oi Zoleide, brigado da visitinha,espero que você melhore,em tudo,no fisico e na alma,ESTAREI ORANDO BJS no coração!